22 de Outubro de 2003 a 30 de Abril de 2008. Quatro anos e meio depois eu estou fora da agência. Meu primeiro emprego e talvez meu último emprego no Brasil. Entrei com 18 anos e saio com quase 23 anos. Na época estava no primeiro semestre da faculdade de Publicidade e Propaganda e procurava qualquer emprego, já que não tinha experiência e mal sabia o que queria fazer. Fazer site sempre foi uma brincadeira pra mim, acho que em 1997 comprei uma revista de informática que ensinava os primeiros passos do html e aí criei meu primeiro site no bloco de notas, sobre futebol, piadas, mulheres e mais um monte de coisas, tudo na mesma página já que aquela edição não ensinava a fazer hiperlinks. Portanto um dos empregos que eu procurava era em agências de web, qualquer agência de web, até as que faziam digitação de trabalhos escolares também.
Quando dei a sorte de entrar na maior agência do Vale dos Sinos e uma das maiores do estado muita coisa estava para mudar. Ok, eu entrei sem saber o que era um LoadMovie(), mas eles não precisavam saber disso. Eu tinha curiosidade e não eram alguns comandos de AS que seriam barreiras. Eu procurava e quando não achava, perguntava, e perguntava muito, perguntava tanto que logo começaram a me chamar de garoto intervenção. Hoje sei que o nível de profissionalismo que atingi devo aos profissionais que encontrei no caminho, a paciência e as horas que gastaram comigo.
Mas nesse tempo aprendi algo muito mais importante do que design e desenvolvimento em Flash. Muito do que sou hoje, é influência dos 4 anos e meio que convivi com as diversas pessoas que passaram pela agência. Comprovei que o ambiente realmente molda o indivíduo. Idéias e atitudes que hoje possuo são claras influências de pessoas que conheci. Aprendi a apanhar, ter 5 segundos pra se sentir um merda e depois se empenhar para inverter o jogo. Aprendi que a vida não é moleza. Só seus pais passam a mão na sua cabeça quando você é mediocre. Ainda me lembro quando fiz a minha primeira criação e meu chefe chegou perguntando: “Quem foi que fez aquela merda?”. Foi horrível. Me perguntei se eu realmente conseguiria fazer aquilo todo dia. Se eu tinha “nascido” para aquilo. Se eu conseguiria aguentar um trabalho onde o que eu fiz ontem não importa mais amanhã. Seria tão mais fácil fazer um serviço burocrático e rotineiro. Mas voltei e tive que fazer algo bom. Dia após dia.
Talvez eu deveria fazer um e-mail de despedida para os meus colegas como todos fazem, mas muitos dos que deveriam recebê-lo não estão mais na agência, e não quero citar nomes também, pois todos de alguma maneira foram importantes. Durante 4 anos e meio a BRA Marketing Digital foi minha segunda casa, em alguns momentos até a primeira, devido as intermináveis madrugadas. Mas eu sempre adorei aquilo. Muitos foram mais do que colegas e se tornaram amigos. Obrigado galera, por tudo!
Mas agora parem de ler e voltem a trabalhar, porque eu vou arrumar as malas e me preparar para a próxima aventura.
No alto dos meus 22 anos, é difícil ter propriedade para falar sobre a vida. Os mais velhos costumam acabar discussões com o dogma do “quando você for mais velho você vai pensar diferente”. Talvez isso seja verdade, mas resolvi fazer esse post com frases que eu gostaria dizer quando tivesse 80 anos:
- Quem viveu buscando um sentido na vida apenas morreu. Nunca consegui descobrir o porque estamos aqui, não consegui encontrar um missão, mas vi que a vida pode ser incrível se vivida.
- Nunca consegui entender essa história das pessoas preferirem amar apenas uma pessoa do que várias. Juro que tentei, mas nunca fui egoísta com o amor.
- Você é o centro do seu mundo. Nunca deixe algo por alguém, não viva a vida de outra pessoa, não planeje algo que depende de outra pessoa para ser realizado. Seja egocêntrico, mas não egoísta.
- Viva o maior tempo que conseguir sem mentir, você economizará nas desculpas.
- Como nunca acreditei em vida eterna, tentei viver 20 vidas dentro da minha. Saia do automático.
- Nada do que fiz foi realmente importante, mas gostei de cada uma delas.
- A tolerância e o bom humor foram minhas melhores qualidades.
- Não faça cobrança em relação as outras pessoas. Não dependa de ninguém.
Nos últimos dias, com todas as coisas acontecendo, e os planos se concretizando, tenho pensado muito nos rumos que a minha vida vai tomar daqui a uns meses.
Sei que matemáticos acham que a matemática é a resposta pra tudo, os físicos acham que é a física, mas eu acabo de achar o momento que nós, seres-humanos, começamos a ficar egoístas e descemos a ladeira da humanidade, e a minha viagem tem muito a ver com isso.
No ano passado eu comec/
- Ahhh, cala essa boca! É um intercâmbio, tu vai ficar um ano só.
- Mas é o primeiro ano de muitos que virão.
- Uau, olhem pra mim, eu vou pra Europa, e é por ideologia, não tem nada a ver com grana, estudos e outras coisa…
- Porra! Mas tu tá xarope hein?! O que tu tem?
- Sono caralho! Tá ligado no Tyler Durden? Tu tem sorte que não comecei a ti socar.
- Ó o cara se achando o Brad Pitt.
- Pois é, só que sem a Jolie, e nem a Marla, por causa do senhor aí sem vida social. E falando em Marla, me lembrei daquela do Abbey, nem falou mais com ela né?!
- Eu estou muito ocupado nos últimos tempos.
- E a Claudia?
- Não quero falar da Claudia.
- Ui… Não quero falar da Claudia. Tu não quer mais porra nenhuma! Já tá com a cabeça lá na Irlanda, mas tu tá aqui ainda o retardado.
- Que alter-ego mais estressado que tu é. Desencana.
- Desencanar? Cara, tu nem dorme mais direito, mais um pouco e eu tomo conta por completo da tua mente.
- Relaxa. Quando eu estiver em Dublin isso muda, várias coisas vão mudar.
- Mas falta ainda a porcaria de 3 meses.
- Eu tava só querendo escrever um post inteligente, com idéias que rodaram minha cabeça nos últimos dias e tu veio encher o saco. Chega! Não tô mais afim de escrever, talvez outra hora!
- Ui…
Não uso o Orkut regularmente, não gosto da exposição, entro quando me deixam um scrap e acabo perdendo um bom tempo por lá. Sou taxado como anti-social nesta rede social virtual.
Mas em uma das muitas madrugadas em claro, estava lendo este post no blog do Alex Castro, onde ele reclamava de pessoas que roubavam um de seus textos e colocavam no perfil do orkut, mesmo o texto sendo muito pessoal.
Inspirado nisso e naquela perguntinha “Quem sou eu:”, resolvi apagar o que tinha escrito no meu perfil (algo como: Não adiciono ninguém e blá blá blá…) e escrever algum texto. Como talvez me dê vontade de apagá-lo alguma hora e escrever outra coisa, resolvi postá-lo aqui para arquivo.
QUEM SOU EU: Se eu fosse escrever quem eu sou neste perfil, teria que ser algo muito pessoal, nada de frases feitas, músicas, poemas, teria que ser algo tão introspectivo que quando EU lesse me lembraria de quem eu sou. Falo isso porque tenho consciência de que esqueço quem realmente sou, caio em contradições, erro tentando na maioria das vezes nem acertar.
Se eu fosse escrever no meu perfil, não colocaria meus pontos fortes, colocaria o meu lado menos aceitável. Talvez para assustar a maioria das pessoas, talvez porque acho que já tenho os verdadeiros amigos e o resto seriam apenas distrações. Colocaria o quão anti-social me tornei. Não sou uma pessoa rabugenta ou mal-humorada, muito pelo contrário, mas apenas não considero mais algo proveitoso ser popular, pois notei que para isso exigia uma mediocridade na qual não estou mais disposto a me encaixar.
Talvez eu colocasse a definição da mulher perfeita para tentar achar uma, mesmo sabendo que é a imperfeição que me atrai. Colocaria que como um ser completo, não estou em busca da minha alma gêmea, alguém que fecharia um ciclo, que seria a parte que falta em mim. Não quero alguém com tal responsabilidade e não quero tal responsabilidade.
Se eu fosse escrever neste perfil, talvez eu colocasse meus objetivos pessoais para impressionar as pessoas. Colocaria que desejo ler todos os livros do mundo, conhecer todos os lugares do mundo, me relacionar com o maior número possível de culturas, velejar sem destino, escrever um romance ou uma ficção científica aclamada. Pretendo não precisar vender meu tempo para conseguir dinheiro. Pretendo ganhar um Nobel e um Oscar no mesmo ano. Fazer uma viagem espacial. Presenciar um milagre. Quase morrer. Viver um grande amor. Desiludir-me. Beber muito. Ter um filho. Ver alguém plantar uma árvore. E quem sabe um dia morrer e dessa maneira provar cientificamente que não existe nada depois da morte.
Mas este texto deveria ser mais profundo, nele eu deveria colocar aquilo que eu sinto, aquilo que me atormenta todos os dias, colocar para todos aquele que não conhecem, aquele que somente eu conheço, mas como nunca vou escrever tal texto, optei por não escrever nada neste perfil.
UPDATE: Obviamente não tanto como o do Alex Castro, mas esse texto já se espalhou pelo orkut. Até hoje (28/07/08), 62 pessoas já o tinham colocado em seus perfis (http://tinyurl.com/64quw8). Já está em domínio público, mas queria deixar registrado que fui eu quem escreveu essas linhas.
Sempre achei o xadrez um jogo fascinante. Não pela sua jogabilidade, e sim pela aura intelectual que gira em torno dele. Mas os anos foram passando, a vida foi seguindo seu rumo, seu “plano divino”, e comecei a ver este jogo com outros olhos, vi uma simplicidade absurda, uma normalidade cansativa, um senso comum desgastante. Vi que ele não passa de uma cópia ainda mais simplificada do nosso cotidiano.
Temos reis, rainhas, bispos, torres, cavalos e peões, agindo como reis, rainhas, bispos, torres, cavalos e peões. Os peões são a grande maioria, sozinhos não têm muito poder, estão ali para proteger com suas vidas a segurança de outros com mais poder, acham que vivem e têm liberdade mas são apenas peças de um tabuleiro para um plano maior, e que não é a sua felicidade. São sempre os primeiros a morrer e não podem nem pensar em recuar.
Têm os bispos, que representam como ninguém a santíssima igreja. Têm grande poder de movimentação, poderiam fazer grandes mudanças no jogo, mas andam apenas nas diagonais, posicionando-se nos cantos para ter segurança.
Têm os cavalos, andam em “L”, podem passar por cima dos outros. Poderia representar o sexo, fica escondido e quando surge uma oportunidade ganha importância que deixam outras necessidades para trás. Mas por que em “L”? Seria uma posição? E por que um cavalo? Hum… Será?
Têm as torres, que podem andar quanto quiser para frente, para trás e para os lados. Elas são como os bens materiais, as posses do rei. São altamente destrutíveis, têm fome por avançar, poderiam andar de lado, proteger mais peças, mas se o fazem é apenas para poder avançar com ainda mais agressividade.
Têm o rei, que faz o que quiser, anda para onde tem vontade, mas apenas poucas casas, talvez por comodidade. A vida é mais fácil quando se tem um exército.
E por fim, temos a rainha, a peça chave desse jogo, que poderíamos interpretar de diversas formas, mas opto por tentar lê-la pelo seu sexo, ela representa a mulher. O chamado “sexo frágil”, aquelas que realmente fazem o mundo girar, e não estou falando de uma forma romântica. Por elas reinos caíram, reis enlouqueceram, carros são vendidos e perfumes usados. Elas nos dominam, somos seus escravos, objetos manipulados. Este ser misterioso, que consegue nos colocar de joelhos e fazer-nos achar que ainda estamos no poder. O rosto angelical esconde sentimentos incompreendidos por nós, cito Nietzsche: “Na vingança e no amor, a mulher é mais bárbara que o homem”. E esta tradução pode trazer um equívoco quanto a palavra “bárbara”, ela é emprega aqui com o sentido de “cruel” e não de “maravilhosa”. O lobo em pele de cordeiro. Mas não quero tornar isto um discurso machista-reprimido, se elas exercem este poder sobre nós, não podemos tirá-las o mérito, pois a vida é uma escolha de pelo que estamos dispostos a sofrer.
Portanto, proteja sua rainha ou vá jogar o resta um!
Teu beijo se fez em calor,
Logo o calor, em movimento,
Logo em gota de suor
Que se fez em vapor, logo em vento
Que em um canto de La Rioja
Moveu a pá de um moinho
Enquanto pisavam o vinho
Que tua boca vermelha bebeu.
Tua boca vermelha na minha,
A taça que gira em minha mão,
E enquanto o vinho caia
Soube que de algum distante
Canto de outra galáxia,
O amor que me daria,
Transformado, voltaria
Um dia a dar a graça.
Cada um dá o que recebe
E logo recebe o que dá,
Nada é mais simples,
Não há outra norma:
Nada se perde,
Tudo se transforma.
O vinho que eu paguei,
Com aquele euro italiano
Que havia estado em um vagão
Antes de estar na minha mão,
E antes disso em Torino,
E antes de Torino, em Prato,
Onde fizeram meu sapato
Sobre o qual cairia o vinho.
Sapato que em umas horas
Buscarei debaixo de tua cama
Com as luzes da aurora,
Junto a tuas sandálias baixas
Que compraste aquela vez
Em Salvador na Bahia,
Onde a outro deste o amor
Que hoje eu lhe devolveria
Cada um dá o que recebe
E logo recebe o que dá,
Nada é mais simples,
Não há outra norma:
Nada se perde,
Tudo se transforma.
Não preciso escrever mais nada, a música já falou o bastante. Never lose hope!