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Archive for Me, Myself and I

A cidade mais doida do mundo

Oitenta anos

Depois de quase um ano vivendo em Dublin é quase que necessário (para mim) escrever algo sobre essa cidade. Eu poderia resumir dizendo que Dublin é a cidade mais doida do mundo (como já fiz no twitter após uma noite insana em plena segunda-feira), mas seria muito vago para quem não vive isso aqui, e quando falo em viver isso aqui, é realmente viver Dublin. Talvez um turista que passa pouco tempo por aqui nunca vai descobrir o que Dublin realmente é, e eu também levei um tempo para descobrir.

Não conheço ninguém que caiu de amores por Dublin logo que a viu. A essência de Dublin não está em pontos turísticos, paisagens, clima (este definitivamente não é). E talvez por isso que levasse um tempo para gostar daqui. Dublin é como aquela namorada que não é a menina mais linda da cidade mas que com o tempo vocês vão conversando, se conhecendo e quando você menos espera você está perdidamente apaixonado.

O que levei um tempo para descobrir, talvez por causa da dificuldade com a língua, é que a essência de Dublin está nas pessoas que vivem aqui, não importa a língua que falem. E diversos fatores tornam as pessoas que vivem aqui diferentes das de outras cidades.

1) Dublin é uma cidade cosmopolita.
Aqui você encontra pessoas de todos os lugares do mundo. E quando eu digo todos é todos mesmo, até Bangladesh.

2) É uma cidade de estudantes ou trabalhadores temporários.
Grande parte da população está em Dublin por um tempo, seja para aprender inglês, ganhar dinheiro, e talvez isso torne Dublin uma festa interminável. As pessoas não estão aqui buscando constituir uma família, comprar a sua casa, ter filhos e morrer. Dublin é apenas uma parte da vida delas, e talvez por isso que vivem aqui querendo aproveitar esse período que está sendo utilizado para algum plano pro futuro. Una a isso a parte que aqui poucas pessoas (ou nenhuma) REALMENTE ti conhessem, aqui você pode ser quem você quiser, no dia que você bem entender e não terá ninguém dizendo que você está diferente. E é essa liberdade que torna muitas pessoas interessantes, sem barreiras que a vida em sociedade vai nos colocando enquando relações vão se solidificando.

3) Os irlandeses são amigáveis e loucos.
Os irlandeses são pessoas muito amigáveis (salvo excessões e diferenças que em um próximo post talvez eu explique) e loucos de nascença. Talvez o fato de viver em uma pequena ilha no norte do planeta, onde o clima não é convidativo a ficar estirado em uma praia paradisíaca eles tiveram que aprender a se divertir de maneiras diferentes.

4) Dublin é uma grande cidade pequena.
Dublin é uma cidade grande, mas como uma alma de cidade pequena. Todos os caminhos levam ao City Centre e é por lá que as coisas acontecem. É muito fácil conhecer alguém e se peixar com ela em um outro dia sem querer.

5) Um pub por esquina.
A máxima “Nunca fiz amigos bebendo leite” pode muito bem ter surgido por aqui. Você literalmente tem um pub a cada esquina, existe sempre um lugar diferente do outro com músicas diferentes, pessoas diferentes, e a eterna busca de achar a melhor Guinness da cidade (até agora para mim é no MV Cill Airne). Dublin não para.

E é a únião desses fatores que torna Dublin única. Não conheço o mundo inteiro, mas conheço pessoas de praticamente todo ele e por isso arrisco afirmar que não existe lugar no mundo como aqui.

Imaginação

Imaginacao

Canto músicas que ainda não foram compostas
Lembro de pessoas que nunca conheci
Amo pessoas que talvez nem nasceram
Falo línguas que nunca aprendi
Faço coisas que não fui ensinado
Brinco com as leis da física
Desafio deuses e demônios
Vivo em um mundo que poucos bípedes conhecem
Onde tudo isso faz sentido
e loucura é nome de doce.

Cicatrizes

Cicatrizes

Eu sempre preferi cicatrizes a tatuagens. Pode parecer meio macabro, mas elas sempre me chamaram mais atenção e despertam a minha curiosidade. Não me lembro de alguma vez ter perguntado para alguém sobre sua tatuagem, mas foram inúmeras as pessoas a qual interroguei sobre alguma marca em seu corpo, e quase sempre escutei histórias interessantes.

Me lembro uma menina muito bonita que conheci em uma festa um pouco antes de vir para a Irlanda, alguns dias depois a convidei para sair, fomos a um barzinho, estavamos naquele papo casual quando eu a pergunto sobre uma pequena cicatriz que tinha na testa. A sua primeira reação foi ficar surpresa com a pergunta e talvez um pouco constrangida (afinal não é uma pergunta muito polida para se fazer a uma menina que você conheceu a poucos dias), mas como falei antes, ela é uma menina linda e após o pequeno susto se recompôs, reassumiu a auto-confiança e me contou a história, e como a maioria, era uma boa história. Depois disto a noite foi melhorando a cada nova história, porque eu já tinha descoberto uma pequena imperfeição nela e até isso já tinha me atraído. Falar sobre a cicatriz a colocou mais segura naquele encontro, o que certamente a tornou mais confiante e disposta a falar mais abertamente, aquela cicatriz foi um gancho para outros assuntos.

Pode ser exagero, mas as pessoas com cicatrizes são mais interessantes. Elas tem ao menos uma boa história para contar sobre cada cicatriz. Talvez eu goste mais de cicatrizes porque elas são fatos, ao contrário das tatuagens que são apenas histórias contadas. Eu prefiro ver aquela cicatriz de uma fratura exposta que você ganhou após um acidente em um campeonato de motocross do que apenas uma tatuagem de uma moto que é apenas você dizendo que gosta de motocross.

Entre o ser, o ter e o representar de Aristóteles, as cicatrizes estão mais ligadas ao que você é, a sua essência, e as tatuagens ao que você representa, aquilo que você precisa mostrar para os outros. Talvez dessa idéia venha a minha preferência. A cicatriz está mais ligada a sua natureza, se você é bagunceiro, se você é radical ou até se você é apenas desastrado. Elas são histórias que não precisam ser contadas, estão alí para quem quiser ver, apenas as deixem falar.

Se eu tenho cicatriz? Sim, mas deixa que ela conta sua história em um próximo post.

Welcome to Ireland

Oitenta anos

Depois de 5 meses na Irlanda resolvi escrever no blog novamente. Queria ter feito este post logo que cheguei para colocar primeiras impressões e com o tempo ir escrevendo para notar as mudanças, mas como não tinha um computador sempre a mão acabei deixando de lado a idéia.

Muitas coisas mudaram nestes 5 meses, muitas primeiras impressões foram desfeitas e outras mantidas, planos mudaram e histórias aconteceram. Mas como já estou habituado com a cidade (e até com o clima) não vejo mais como ser interessante fazer um acompanhamento, portanto vamos seguindo a vida … no Brasil ou aqui … pois “quem viaja só muda de clima”, a minha cabeça continua com as mesmas dúvidas sobre a Vida, o Universo e Tudo mais, apenas tenho mais histórias para contar.

Despedida

Despedida

22 de Outubro de 2003 a 30 de Abril de 2008. Quatro anos e meio depois eu estou fora da agência. Meu primeiro emprego e talvez meu último emprego no Brasil. Entrei com 18 anos e saio com quase 23 anos. Na época estava no primeiro semestre da faculdade de Publicidade e Propaganda e procurava qualquer emprego, já que não tinha experiência e mal sabia o que queria fazer. Fazer site sempre foi uma brincadeira pra mim, acho que em 1997 comprei uma revista de informática que ensinava os primeiros passos do html e aí criei meu primeiro site no bloco de notas, sobre futebol, piadas, mulheres e mais um monte de coisas, tudo na mesma página já que aquela edição não ensinava a fazer hiperlinks. Portanto um dos empregos que eu procurava era em agências de web, qualquer agência de web, até as que faziam digitação de trabalhos escolares também.

Quando dei a sorte de entrar na maior agência do Vale dos Sinos e uma das maiores do estado muita coisa estava para mudar. Ok, eu entrei sem saber o que era um LoadMovie(), mas eles não precisavam saber disso. Eu tinha curiosidade e não eram alguns comandos de AS que seriam barreiras. Eu procurava e quando não achava, perguntava, e perguntava muito, perguntava tanto que logo começaram a me chamar de garoto intervenção. Hoje sei que o nível de profissionalismo que atingi devo aos profissionais que encontrei no caminho, a paciência e as horas que gastaram comigo.

Mas nesse tempo aprendi algo muito mais importante do que design e desenvolvimento em Flash. Muito do que sou hoje, é influência dos 4 anos e meio que convivi com as diversas pessoas que passaram pela agência. Comprovei que o ambiente realmente molda o indivíduo. Idéias e atitudes que hoje possuo são claras influências de pessoas que conheci. Aprendi a apanhar, ter 5 segundos pra se sentir um merda e depois se empenhar para inverter o jogo. Aprendi que a vida não é moleza. Só seus pais passam a mão na sua cabeça quando você é mediocre. Ainda me lembro quando fiz a minha primeira criação e meu chefe chegou perguntando: “Quem foi que fez aquela merda?”. Foi horrível. Me perguntei se eu realmente conseguiria fazer aquilo todo dia. Se eu tinha “nascido” para aquilo. Se eu conseguiria aguentar um trabalho onde o que eu fiz ontem não importa mais amanhã. Seria tão mais fácil fazer um serviço burocrático e rotineiro. Mas voltei e tive que fazer algo bom. Dia após dia.

Talvez eu deveria fazer um e-mail de despedida para os meus colegas como todos fazem, mas muitos dos que deveriam recebê-lo não estão mais na agência, e não quero citar nomes também, pois todos de alguma maneira foram importantes. Durante 4 anos e meio a BRA Marketing Digital foi minha segunda casa, em alguns momentos até a primeira, devido as intermináveis madrugadas. Mas eu sempre adorei aquilo. Muitos foram mais do que colegas e se tornaram amigos. Obrigado galera, por tudo!

Mas agora parem de ler e voltem a trabalhar, porque eu vou arrumar as malas e me preparar para a próxima aventura.

Frases que eu gostaria de dizer com 80 anos

Oitenta anos

No alto dos meus 22 anos, é difícil ter propriedade para falar sobre a vida. Os mais velhos costumam acabar discussões com o dogma do “quando você for mais velho você vai pensar diferente”. Talvez isso seja verdade, mas resolvi fazer esse post com frases que eu gostaria dizer quando tivesse 80 anos:

- Quem viveu buscando um sentido na vida apenas morreu. Nunca consegui descobrir o porque estamos aqui, não consegui encontrar uma missão, mas vi que a vida pode ser incrível se vivida.

- Nunca consegui entender essa história das pessoas preferirem amar apenas uma pessoa do que várias. Juro que tentei, mas nunca fui egoísta com o amor.

- Você é o centro do seu mundo. Nunca deixe algo por alguém, não viva a vida de outra pessoa, não planeje algo que depende de outra pessoa para ser realizado. Seja egocêntrico, mas não egoísta.

- Viva o maior tempo que conseguir sem mentir, você economizará nas desculpas.

- Como nunca acreditei em vida eterna, tentei viver 20 vidas dentro da minha. Saia do automático.

- Nada do que fiz foi realmente importante, mas gostei de cada uma delas.

- A tolerância e o bom humor foram minhas melhores qualidades.

- Não faça cobrança em relação as outras pessoas. Não dependa de ninguém.

O ínicio do fim

Devaneios em série

Nos últimos dias, com todas as coisas acontecendo, e os planos se concretizando, tenho pensado muito nos rumos que a minha vida vai tomar daqui a uns meses.

Sei que matemáticos acham que a matemática é a resposta pra tudo, os físicos acham que é a física, mas eu acabo de achar o momento que nós, seres-humanos, começamos a ficar egoístas e descemos a ladeira da humanidade, e a minha viagem tem muito a ver com isso.

No ano passado eu comec/
- Ahhh, cala essa boca! É um intercâmbio, tu vai ficar um ano só.
- Mas é o primeiro ano de muitos que virão.
- Uau, olhem pra mim, eu vou pra Europa, e é por ideologia, não tem nada a ver com grana, estudos e outras coisa…
- Porra! Mas tu tá xarope hein?! O que tu tem?
- Sono caralho! Tá ligado no Tyler Durden? Tu tem sorte que não comecei a ti socar.
- Ó o cara se achando o Brad Pitt.
- Pois é, só que sem a Jolie, e nem a Marla, por causa do senhor aí sem vida social. E falando em Marla, me lembrei daquela do Abbey, nem falou mais com ela né?!
- Eu estou muito ocupado nos últimos tempos.
- E a Claudia?
- Não quero falar da Claudia.
- Ui… Não quero falar da Claudia. Tu não quer mais porra nenhuma! Já tá com a cabeça lá na Irlanda, mas tu tá aqui ainda o retardado.
- Que alter-ego mais estressado que tu é. Desencana.
- Desencanar? Cara, tu nem dorme mais direito, mais um pouco e eu tomo conta por completo da tua mente.
- Relaxa. Quando eu estiver em Dublin isso muda, várias coisas vão mudar.
- Mas falta ainda a porcaria de 3 meses.
- Eu tava só querendo escrever um post inteligente, com idéias que rodaram minha cabeça nos últimos dias e tu veio encher o saco. Chega! Não tô mais afim de escrever, talvez outra hora!
- Ui…

- POST INTERROMPIDO -

Meu perfil no Orkut

Orkut

Não uso o Orkut regularmente, não gosto da exposição, entro quando me deixam um scrap e acabo perdendo um bom tempo por lá. Sou taxado como anti-social nesta rede social virtual.

Mas em uma das muitas madrugadas em claro, estava lendo este post no blog do Alex Castro, onde ele reclamava de pessoas que roubavam um de seus textos e colocavam no perfil do orkut, mesmo o texto sendo muito pessoal.

Inspirado nisso e naquela perguntinha “Quem sou eu:”, resolvi apagar o que tinha escrito no meu perfil (algo como: Não adiciono ninguém e blá blá blá…) e escrever algum texto. Como talvez me dê vontade de apagá-lo alguma hora e escrever outra coisa, resolvi postá-lo aqui para arquivo.

 


QUEM SOU EU: Se eu fosse escrever quem eu sou neste perfil, teria que ser algo muito pessoal, nada de frases feitas, músicas, poemas, teria que ser algo tão introspectivo que quando EU lesse me lembraria de quem eu sou. Falo isso porque tenho consciência de que esqueço quem realmente sou, caio em contradições, erro tentando na maioria das vezes nem acertar.

Se eu fosse escrever no meu perfil, não colocaria meus pontos fortes, colocaria o meu lado menos aceitável. Talvez para assustar a maioria das pessoas, talvez porque acho que já tenho os verdadeiros amigos e o resto seriam apenas distrações. Colocaria o quão anti-social me tornei. Não sou uma pessoa rabugenta ou mal-humorada, muito pelo contrário, mas apenas não considero mais algo proveitoso ser popular, pois notei que para isso exigia uma mediocridade na qual não estou mais disposto a me encaixar.

Talvez eu colocasse a definição da mulher perfeita para tentar achar uma, mesmo sabendo que é a imperfeição que me atrai. Colocaria que como um ser completo, não estou em busca da minha alma gêmea, alguém que fecharia um ciclo, que seria a parte que falta em mim. Não quero alguém com tal responsabilidade e não quero tal responsabilidade.

Se eu fosse escrever neste perfil, talvez eu colocasse meus objetivos pessoais para impressionar as pessoas. Colocaria que desejo ler todos os livros do mundo, conhecer todos os lugares do mundo, me relacionar com o maior número possível de culturas, velejar sem destino, escrever um romance ou uma ficção científica aclamada. Pretendo não precisar vender meu tempo para conseguir dinheiro. Pretendo ganhar um Nobel e um Oscar no mesmo ano. Fazer uma viagem espacial. Presenciar um milagre. Quase morrer. Viver um grande amor. Desiludir-me. Beber muito. Ter um filho. Ver alguém plantar uma árvore. E quem sabe um dia morrer e dessa maneira provar cientificamente que não existe nada depois da morte.

Mas este texto deveria ser mais profundo, nele eu deveria colocar aquilo que eu sinto, aquilo que me atormenta todos os dias, colocar para todos aquele que não conhecem, aquele que somente eu conheço, mas como nunca vou escrever tal texto, optei por não escrever nada neste perfil.


UPDATE: Obviamente não tanto como o do Alex Castro, mas esse texto já se espalhou pelo orkut. Até hoje (17/01/09), um ano depois de escrito, 111 pessoas já o tinham colocado em seus perfis (http://tinyurl.com/perfilorkut). Já está em domínio público, mas queria deixar registrado que fui eu quem escreveu essas linhas.

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