Não uso o Orkut regularmente, não gosto da exposição, entro quando me deixam um scrap e acabo perdendo um bom tempo por lá. Sou taxado como anti-social nesta rede social virtual.
Mas em uma das muitas madrugadas em claro, estava lendo este post no blog do Alex Castro, onde ele reclamava de pessoas que roubavam um de seus textos e colocavam no perfil do orkut, mesmo o texto sendo muito pessoal.
Inspirado nisso e naquela perguntinha “Quem sou eu:”, resolvi apagar o que tinha escrito no meu perfil (algo como: Não adiciono ninguém e blá blá blá…) e escrever algum texto. Como talvez me dê vontade de apagá-lo alguma hora e escrever outra coisa, resolvi postá-lo aqui para arquivo.
QUEM SOU EU: Se eu fosse escrever quem eu sou neste perfil, teria que ser algo muito pessoal, nada de frases feitas, músicas, poemas, teria que ser algo tão introspectivo que quando EU lesse me lembraria de quem eu sou. Falo isso porque tenho consciência de que esqueço quem realmente sou, caio em contradições, erro tentando na maioria das vezes nem acertar.
Se eu fosse escrever no meu perfil, não colocaria meus pontos fortes, colocaria o meu lado menos aceitável. Talvez para assustar a maioria das pessoas, talvez porque acho que já tenho os verdadeiros amigos e o resto seriam apenas distrações. Colocaria o quão anti-social me tornei. Não sou uma pessoa rabugenta ou mal-humorada, muito pelo contrário, mas apenas não considero mais algo proveitoso ser popular, pois notei que para isso exigia uma mediocridade na qual não estou mais disposto a me encaixar.
Talvez eu colocasse a definição da mulher perfeita para tentar achar uma, mesmo sabendo que é a imperfeição que me atrai. Colocaria que como um ser completo, não estou em busca da minha alma gêmea, alguém que fecharia um ciclo, que seria a parte que falta em mim. Não quero alguém com tal responsabilidade e não quero tal responsabilidade.
Se eu fosse escrever neste perfil, talvez eu colocasse meus objetivos pessoais para impressionar as pessoas. Colocaria que desejo ler todos os livros do mundo, conhecer todos os lugares do mundo, me relacionar com o maior número possível de culturas, velejar sem destino, escrever um romance ou uma ficção científica aclamada. Pretendo não precisar vender meu tempo para conseguir dinheiro. Pretendo ganhar um Nobel e um Oscar no mesmo ano. Fazer uma viagem espacial. Presenciar um milagre. Quase morrer. Viver um grande amor. Desiludir-me. Beber muito. Ter um filho. Ver alguém plantar uma árvore. E quem sabe um dia morrer e dessa maneira provar cientificamente que não existe nada depois da morte.
Mas este texto deveria ser mais profundo, nele eu deveria colocar aquilo que eu sinto, aquilo que me atormenta todos os dias, colocar para todos aquele que não conhecem, aquele que somente eu conheço, mas como nunca vou escrever tal texto, optei por não escrever nada neste perfil.
UPDATE: Obviamente não tanto como o do Alex Castro, mas esse texto já se espalhou pelo orkut. Até hoje (17/01/09), um ano depois de escrito, 111 pessoas já o tinham colocado em seus perfis (http://tinyurl.com/perfilorkut). Já está em domínio público, mas queria deixar registrado que fui eu quem escreveu essas linhas.
Sempre achei o xadrez um jogo fascinante. Não pela sua jogabilidade, e sim pela aura intelectual que gira em torno dele. Mas os anos foram passando, a vida foi seguindo seu rumo, seu “plano divino”, e comecei a ver este jogo com outros olhos, vi uma simplicidade absurda, uma normalidade cansativa, um senso comum desgastante. Vi que ele não passa de uma cópia ainda mais simplificada do nosso cotidiano.
Temos reis, rainhas, bispos, torres, cavalos e peões, agindo como reis, rainhas, bispos, torres, cavalos e peões. Os peões são a grande maioria, sozinhos não têm muito poder, estão ali para proteger com suas vidas a segurança de outros com mais poder, acham que vivem e têm liberdade mas são apenas peças de um tabuleiro para um plano maior, e que não é a sua felicidade. São sempre os primeiros a morrer e não podem nem pensar em recuar.
Têm os bispos, que representam como ninguém a santíssima igreja. Têm grande poder de movimentação, poderiam fazer grandes mudanças no jogo, mas andam apenas nas diagonais, posicionando-se nos cantos para ter segurança.
Têm os cavalos, andam em “L”, podem passar por cima dos outros. Poderia representar o sexo, fica escondido e quando surge uma oportunidade ganha importância que deixam outras necessidades para trás. Mas por que em “L”? Seria uma posição? E por que um cavalo? Hum… Será?
Têm as torres, que podem andar quanto quiser para frente, para trás e para os lados. Elas são como os bens materiais, as posses do rei. São altamente destrutíveis, têm fome por avançar, poderiam andar de lado, proteger mais peças, mas se o fazem é apenas para poder avançar com ainda mais agressividade.
Têm o rei, que faz o que quiser, anda para onde tem vontade, mas apenas poucas casas, talvez por comodidade. A vida é mais fácil quando se tem um exército.
E por fim, temos a rainha, a peça chave desse jogo, que poderíamos interpretar de diversas formas, mas opto por tentar lê-la pelo seu sexo, ela representa a mulher. O chamado “sexo frágil”, aquelas que realmente fazem o mundo girar, e não estou falando de uma forma romântica. Por elas reinos caíram, reis enlouqueceram, carros são vendidos e perfumes usados. Elas nos dominam, somos seus escravos, objetos manipulados. Este ser misterioso, que consegue nos colocar de joelhos e fazer-nos achar que ainda estamos no poder. O rosto angelical esconde sentimentos incompreendidos por nós, cito Nietzsche: “Na vingança e no amor, a mulher é mais bárbara que o homem”. E esta tradução pode trazer um equívoco quanto a palavra “bárbara”, ela é emprega aqui com o sentido de “cruel” e não de “maravilhosa”. O lobo em pele de cordeiro. Mas não quero tornar isto um discurso machista-reprimido, se elas exercem este poder sobre nós, não podemos tirá-las o mérito, pois a vida é uma escolha de pelo que estamos dispostos a sofrer.
Portanto, proteja sua rainha ou vá jogar o resta um!
Teu beijo se fez em calor,
Logo o calor, em movimento,
Logo em gota de suor
Que se fez em vapor, logo em vento
Que em um canto de La Rioja
Moveu a pá de um moinho
Enquanto pisavam o vinho
Que tua boca vermelha bebeu.
Tua boca vermelha na minha,
A taça que gira em minha mão,
E enquanto o vinho caia
Soube que de algum distante
Canto de outra galáxia,
O amor que me daria,
Transformado, voltaria
Um dia a dar a graça.
Cada um dá o que recebe
E logo recebe o que dá,
Nada é mais simples,
Não há outra norma:
Nada se perde,
Tudo se transforma.
O vinho que eu paguei,
Com aquele euro italiano
Que havia estado em um vagão
Antes de estar na minha mão,
E antes disso em Torino,
E antes de Torino, em Prato,
Onde fizeram meu sapato
Sobre o qual cairia o vinho.
Sapato que em umas horas
Buscarei debaixo de tua cama
Com as luzes da aurora,
Junto a tuas sandálias baixas
Que compraste aquela vez
Em Salvador na Bahia,
Onde a outro deste o amor
Que hoje eu lhe devolveria
Cada um dá o que recebe
E logo recebe o que dá,
Nada é mais simples,
Não há outra norma:
Nada se perde,
Tudo se transforma.
Não preciso escrever mais nada, a música já falou o bastante. Never lose hope!
janeiro 4, 2007 at 1:02 am · Filed under Quadrinhos
Mais um post gigante com tirinhas. Depois do Calvin, agora é a vez do Wulffmorgenthaler.
Retiradas do ótimo blog da Baunilha, essas tirinhas tem um estilo diferente de tudo que já vi, e um humor negro que adoro. No próprio blog tem um about para quem quiser saber mais sobre elas.
Segue então as minhas favoritas, clique nas imagem para ampliá-las:
John Lenon
Pedra
Deus e a torradeira
Dalai Lama
Einstein
Anjo da Guarda
Otimista
Dando um tempo
Alívio
Cogumelos
Virgens
Esperma
Filósofos
Ciclope
Buraco negro
Orelhas
Nômades
Neurótica (essa é a minha favorita)
Estátua
Idade Média
Strip-poker
Vou aproveitar este post para colocar uma tirinha do Calvin que achei simplesmente fantástica. O mundo precisa de mais criatividade mesmo… e nada melhor do que um garotinho para nos mostrar isso.
dezembro 25, 2006 at 7:45 pm · Filed under Publicidade
A nova campanha da Skol é talvez a melhor dos últimos tempos. Compará-la com a de outras marcas não tem nem graça, e prova que publicidade não precisa ser apelativa (apesar de gostar de ver mulher gostosa na tv).
O texto é de um bom gosto, e de uma sensibilidade que no final do comercial ficamos com vontade de fazer deste o melhor verão de nossas vidas, aproveitar ao máximo. É claro que o comercial nos mostra um mundo perfeito, onde não é preciso trabalhar, enfrentar os problemas que não somem com o verão. Mas é isso que a publicidade tem que fazer, criar um mundo magnífico que faça a pessoa gostar do que vê mesmo se nunca acontece daquele jeito. E não ficamos mais tristes por isso.
Publicidade é vender, não é arte … tem que nos fazer sonhar … a arte nos trás de volta a realidade, como na música do Aborto Elétrico: “Mas a vida que a gente leva não é nada igual aos anúncios de refrigerante”.
Portanto, vamos sonhar que neste verão faremos de tudo, aproveitaremos de tudo ao lado de uma dúzia de sirigaitas.
Segue abaixo o texto do comercial da Skol:
ahhhhh o verão
dizem que é a estação da perdição
é porque é no verão que você faz tudo aquilo que vai contar para os seus netos
bisnetos e tataranetos um dia
dormir de cueca
dormir de calcinha
é só no verão
viajar para a montanha
para a cachoeira
para o balneário
é só no verão
é no verão que o amor floresce
o amor a preguiça
amor ao sol
ou até mesmo o amor a uma sirigaita
ou uma dúzia de sirigaitas
porque não? seja otimista rapaz
é verão
vai contar o que para o neto
que ficou jogando o dominó?
não!
vai contar que pulou da pedra, comeu churrasco, deu cambalhotas
essas coisas que a gente só faz no verão
ah verão
o verão é agora e tá redondo … yeah yeah